Ensaio “crítico” da obra : Jane Avril em Paris. 1892. litografia. Toulouse Lautrec

A tentativa de fazer o presente ensaio crítico foi elaborada na disciplina estética, ministrada pela emérita  professora Maria do Mar Vazquez y Manzano, a qual devo profundo agradecimento! (num é babação não, a profa é boa mesmo!) =D

A obra escolhida para ensaio crítico foi um pôster Jane Avril em Paris”, 1892,  litografia*1, 123 x 141 cm. Atualmente, a obra pertence ao Instituto de Arte de Chicago, USA. O autor foi o artista francês Henri de Toulouse-Lautrec que pertencia a uma família de grandes nomes aristocráticos. Toulouse sofria de uma doença que causava atrofiamento de seus ossos. Devido a esta moléstia, só atingiu a estatura de 1,52 metros de altura. Durante seus longos tratamentos, o artista passava horas prostrado em uma cama. Aproveitou estes momentos para praticar seu desenho e as diversas técnicas de pintura. Logo após sua recuperação, foi estudar com Fernand Cormon em um estúdio que se localizava no Montmartre, uma área suburbana de Paris conhecida pela sua boemia, e foi lá, que o artista encontrou inspiração para suas obras, vivendo em meio a prostitutas e artistas de caráter duvidoso. (rsrsrs)

Imerso no intenso contato com a população desse bairro de má fama, Toulouse começa uma nova vida. Foi contratado para fazer cartazes publicitários de cabarés e teatros e, depois de algum tempo, passou a ser cobiçado e bastante requisitado, chegando até mesmo expor no Moulin Rouge e em outras casas noturnas. Suas modelos preferidas eram dançarinas, prostitutas e freqüentadores das casas noturnas. Na maioria dos seus cartazes, estão retratadas, dentre outras, a cantora Yvette Guilbert, a dançarina Louise Weber, mais conhecida como a loucamente cativante La Goulue (“A Gulosa”), a qual criou o Cancan francês* 2 , e também a mais ajuizada, a dançarina Jane Avril, esta última retratada na obra aqui analisada.

Toulouse retratava a vida boêmia parisiense de forma eletrizante por meio de um desenho espontâneo e de uma composição dinâmica que possivelmente teria sido influenciada pelo surgimento da fotografia (1825) e pelas gravuras japonesas 3, dois fatores de grande importância no final do século XIX. Toulouse ajudou a criar o design gráfico dos cartazes, alicerçando assim o estilo que posteriormente seria conhecido como artnouveau.

A obra Jane Avril em Paris, sintetiza bem todo o trabalho desenvolvido por Toulouse. Ele possuía uma habilidade em capturar a atmosfera noturna através de seus traços gráficos, sem no entanto remeter a uma “beleza sensual”. Os cartazes eram confeccionados por meio de uma técnica de gravura, a litográfica, que consiste na feição de desenhos (com um lápis gorduroso) sobre uma matriz (pedra calcária). O que rege essa técnica é o principio da repulsão entre água e óleo.

Por ser um mestre do contorno simples, sua “marca registrada” era o desenho essencialmente gráfico, por isso, seu enorme talento como designer de cartazes. A técnica da litografia de sua época acomodava dezenas de cores, mas geralmente Toulouse só utilizava 4 (quatro) ou 5 (cinco), pois preferia criar efeitos de justaposições em vez de uma multiplicidade de cores. Henri ganhou fama fazendo parte da revolução da publicidade do século XIX, onde a arte deixa de ser patrocinada pela nobreza e o apostolado para ser comprada e aplicada aos mecanismos de comunicação de massa do crescente comércio gerado pela revolução industrial.

Os suportes -papéis,papelão-  geralmente utilizados  nos cartazes possuíam a coloração amarelada, como se pode notar na referida obra. Ele também utilizava bastante vermelho e laranja, no intuito de promover um impacto contrastante para traduzir a atmosfera elétrica da vida boemia, além de aplicar a tinta de modo a fazer com que os contornos ficassem bastante nítidos (evidenciando a influência das gravuras japonesas). Isto se torna claramente visível no vestido da personagem representada, a dançarina Jane Avril, onde há o laranja do vestido com o amarelo dos babados contrastando com o preto das luvas e do carpe, causando um efeito energizante. A dançarina esta posicionada em um autêntico passo da dança francesa (o “cancan”), e sua expressão facial denuncia o espírito boêmio numa demonstração de gozo.

Já na parte superior à direita, está representada uma parte de um instrumento musical (possivelmente um contrabaixo). O músico está segurando o instrumento (que remete a um falo), e próximo a ele está partituras musicais. O contorno do instrumento se expande para as laterais formando uma espécie de moldura, certamente uma análogia ao envolvimento da dançarina com a música. Nota-se também que o músico está representado  na mesma tonalidade do instrumento, o que faz com que o destaque se concentre na dançarina, tornando-a mais evidente. A imagem em si é bidimensional, no entanto, toda a composição está alicerçada sobre traços que remetem a uma sutil perspectiva (remetendo a um convite que envolve o espectador). Acredito que o artista obteve êxito em realizar o que havia planejado: convidar e envolver os espectadores do cabaret.

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