Resumo do artigo: “Fundamentos da arte computacional” de Tânia Fraga

Segundo Fraga, a arte contemporânea encontra-se alicerçada em processos de criação e conceitos. Ocorre, dessa forma, uma interação maior entre o artista e o espectador. Os conceitos são colocados um ao lado do outro pois visam provocar uma consciência da arte contemporânea, pois so é possivel compreende-la a partir de varios conhecimentos interconectados. Muitos autores, entre eles Kristine Stiles, Rosalind Krass e Arthur Danto se preocuparam em discutir as características da arte contemporânea como uma possibilidade de reflexão sobre si mesma.

Não há muito consenso quanto à época em que os artistas começaram a fazer o que se chama “arte pós- moderna”. Especula-se que este movimento tenha ocorrido principalmente a partir da década de 50 por estar densamente assossiado aos avanços de pesquisas realizadas com os suportes das obras. O campo da arte, pode ser encarado como um laboratório experimental, onde há constantes mudanças nos processos de ampliação e aprimoramento de repertórios , que no geral buscam continuadamente evidenciar relações entre diferentes sistemas científicos que estão em plena análise dentro do próprio campo artístico, gerando novos padrões de pensamento.

Novos horizontes conceituais foram surgindo ao longo do tempo entre os diferentes paradigmas no campo das artes e das ciências. Isto foi demasiadamente necessário para a coerência da relação entre os sistemas.  De certa forma, a relatividade desta coerência depende do ponto de vista do observador pois, ela reflete a perspectiva de quem a adota. Historicamente as tecnologias de produção caracterizaram as civilizações e motivaram os valores estéticos, o referencial ideológico e o repertório formal. Acredito que (deixa eu me posicionar!) atualmente, o desenvolvimento de novas linguagens artísticas podem  ( e devem!) utilizar-se das estruturas tecnológicas, para que continue havendo um amplo repertório do exercício artístico.  A partir dessa visível ligação entre arte e ciência, o artista precisa compreender esses novos paradigmas das artes que surgiram paralelamente com o desenvolvimento da ciência.

É interessante perceber que o período renascentista trouxe o conceito de espaço para o estado consciente com a noção de perspectiva. Esse conceito passou a ser organizado segundo as regras mensuráveis da percepção visual, ou seja, descreviam matematicamente sua representação e sensações que se relacionavam com a realidade física. Desta forma o sistema ganhou autonomia. A arte, a técnica e a ciência foram condensadas no conjunto de obras criadas na Renascença, Barroco, Rococó e neoclássico.

Com a grande produção Industrial, foi constituída uma realidade percebida como fragmentada, caracterizando uma visão de mundo e de um modo de vida.   O artista, nesse contexto, busca não mais representar, e sim apresentar, libertando-se da representação de si próprio e do mundo imediato que o cerca. (O surgimento da fotografia deu grande força para essa liberdade, valeu Niépce!)

A relação entre espaço e tempo é considerada interdependente segundo a realidade física. Esse conceito é baseado em geometrias não euclidianas que posteriormente seriam utilizados para a teoria da relatividade de Einstein. (Não sei se estou sendo clara… mas explicar isso tomaria muito espaço, então… alguém de exatas pode se manifestar nos comentários e esclarecer melhor.)

Por meio de Heisenberg foi possível romper com o determinismo clássico, com base em experimentos que provaram a impossibilidade de obter certas informações simultaneamente (no caso, a posição e a partícula de um elétron), que deram ensejo à formulação do “princípio da incerteza”. Segundo fraga, é essa mudança de paradigma que aproxima ainda mais a ciência da arte. Além disso, Born formulou o “princípio da complementaridade”, na qual onda e partícula são facetas distintas, ainda que aparentemente incompatíveis, de uma mesma realidade física. Esta teoria possibilitou o advento do “princípio de exclusão de Pauli” que afirma que “em um sistema físico dois elétrons não podem estar no mesmo espaço”.

Segundo Gödel, se um sistema matemático é consistente, ele é incompleto. Foi por meio desta lógica que ele postulou o “teorema da incompletude”. A partir daí elementos tidos como inobserváveis no campo físico se tornaram fundamentais no ato de qualquer observação. É com base em todas essas teorias físicas revolucionárias e contra-intuitivas que se tornou possível o desenvolvimento de importantes tecnologias modernas.

As manifestações artísticas e as formulações matemáticas se encontram na relação entre as matrizes cognitivas e exploração criativa. Os artistas resgatam universos de possibilidades utilizando-se da imaginação, semelhante aos cientistas. Os artistas constroem metáforas com bases nos paradigmas que se revelaram nas diversas áreas do conhecimento humano, revelando, assim, possibilidades criativas ainda não exploradas.

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