Enfim, o que é uma família?

Hoje, lendo um artigo sobre adoção de crianças por casais homossexuais, me perguntei: o que faz de uma família ser uma família?

Há fatos nessa vida, que é preciso ter muita paciência para se discutir… uma coisa que  sempre me tirou do sério é essa história da igreja católica  e afins se envolverem de forma significativa nas decisões do estado. (gente… a idade média passou mesmo!? ) Custo a acreditar que existem CNBB  e derivados por ai… Calando a liberdade de expressão, aterrorizando mentes, e o pior: impondo suas vontades… desrespeitando assim, qualquer ato contraditório a suas crenças e, até mesmo, atos laicos. Não é justo achar que as coisas estão erradas so porque não seguiram os padrões tradicionais,  impostos na maioria das vezes por moralistas religiosos. O fato é que  não sou cristã. -por sinal estou bem longe disto –   Mas isso não me impede de ficar com o coração apertadinho qnd vejo uma criança na rua ou num abrigo público… Conheço essa realidade de perto, não vivenciada, qnd criança sempre tive os cuidados de uma família por perto…  Já adulta, pude constatar por  diversas vezes a infelicidade das nossas crianças, os abusos e absurdos ocorridos em suas vidas. Não consigo entender, é paradoxo demais pensar que um cristão prefere ver uma criança passar fome e frio na rua ou ser violentada num abrigo do que na companhia de um lar tranqüilo e sadio, sei que o problema é complexo demais e talvez eu esteja sendo superficial na questão de políticas públicas e etc… mas o fato é que por diversas razões, existem crianças abandonadas. Crianças que podem ser resgatadas e acolhidas por pessoas que sonham em tê-las por perto e devem ter o direito de constituir família. Há muitos argumentos contra a adoção de crianças por casais homossexuais, muitos deles camuflados em questões que envolvem “aspectos psicológicos”. Vejamos:

“A descriminação sofrida pela criança por ter pais homossexuais” A sociedade vive em constantes mudanças e é bom que todos comecem a se adaptar com tais mudanças, houve tempo em que crianças  de casais separados sofriam descrimição, inútil dizer que isso foi superado…

“Uma criança poderia receber influências sexuais e se tornar gay” Primeiro qual o problema em ser gay? (isso fica para outro post, rsrs) todos devem ter o direito da liberdade sexual! “Ah, mas condicionar um ser inocente e blá-blá-blá…” quem disse que ele será condicionado? Onde estão os estudos psicológicos comprovando essa real possibilidade?  Eu fui condicionada a ser cristã durante toda a minha vida, nem por isso sou. Mas vamos lá, siga o raciocínio… todo gay vem de uma família hetero, (ou relação hetero), se o sexo dos pais fosse determinante, não haveriam gays.

” E o papal materno e paterno? não ficaria em cheque?” Segundo psicanalistas pesquisados*, esses papeis podem ser exercidos por qualquer um, independentemente do sexo biológico. De fato isso é verdade, tenho uma amiga que sempre conviveu harmoniosamente com seu pai gay… ele  a criou com muito amor e atenção, provando que não precisa de mamilos para fazê-la feliz.

Por fim, vem a questão dos preconceitos sofridos pelos homossexuais. Moralistas costumam julgar  e dizem que a relação homossexual é promiscua demais para ser interpretada como uma família e que desta forma a relação não proporciona um ambiente saudável para crianças. Ora, há inúmeras relações heteros que não fazem bem à crianças, além do que, há relações promiscuas em muitas circunstâncias e isso não precisa envolver a criança.E tem mais, vamos ver os índices de violência doméstica em relações heteros? ah, não… hoje não, deixa eu dormir sem vê-los…

Concluo que uma família se constituí quando há amor, respeito e acima de tudo compreensão, onde o diálogo é sempre bem vindo, e as diferenças são respeitadas.Pena que eu  so percebi a dimensão disso tudo, quando “perdi” a minha, eu nem sei pq tõ me expondo em um blog, mas é isso. Como diria a minha amiga Malu, arrependimento indica maturidade… e a gente vai seguindo, aprendendo…

*Coates & Zucker (1988);Ricketts & Achtenberg (1989)McIntyre (1994)



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